sexta-feira, 2 de outubro de 2009

À moda antiga

Sapateiros lutam para continuar no mercado de trabalho e revelam as dificuldades impostas pela modernidade em manter a profissão.



Em Belo Horizonte, assim como várias capitais brasileiras, um antigo e popular profissional vem perdendo cada vez mais espaço para o grande comércio de calçados: o sapateiro. No bairro Cidade Nova, região leste da capital, o senhor Carlos Silva, 42, domina o ofício há mais de 20 anos. Bastante conhecido pelos moradores, ele conta que já está habituado às exigências de cada cliente. “Dependendo da idade e do tipo de calçado, já percebo o gosto da pessoa”, diz o sapateiro que conta com o auxílio do jovem Pedro André, de 23 anos. Pedro diz que aprendeu o trabalho há dois anos e percebe a responsabilidade de continuar a tradição do patrão. “Sapateiro não é muito comum hoje em dia. Mas eu não tenho vontade de continuar”, revela.
Na Oficina do Sapato, no bairro Buritis, uma variada gama de calçados femininos e masculinos compõem a prateleira, sendo que alguns, depois de concertados, são passados para revenda. “É importante isso, pois o calçado que não tem uso pra alguém, se passar por uma boa reforma, pode ser reaproveitado”, conta o proprietário José Gonçalves, de 54 anos. Ele diz que usa a prática de revenda para complementar o orçamento do mês. São sandálias, tênis, clássicos como o salto alto ou os de bico fino, que já estão prontos para receber o tratamento. Entre uma troca de sola e um remendo, o sapateiro garante a qualidade do serviço.
O que há de comum entre esses profissionais, além da habilidade adquirida ao longo dos anos, é a queda vertiginosa do número de pedidos. Com o crescimento das redes de calçados, o crédito facilitado e as inúmeras opções de compra, os consumidores adquirem cada vez mais novos modelos e, ao menor sinal de dano, não hesitam em ir às lojas. Segundo Fernando Sasso, economista da Câmara dos Dirigentes Lojistas de BH, somente nos meses de junho e julho o percentual de venda no número de calçados subiu 8,3% em comparação ao mesmo período do ano passado. “No período de férias existe uma tendência de crescimento com a chegada de turistas, o que faz o consumo aumentar”, disse Sasso.
Já os profissionais da sola alegam que o hábito de ir ao sapateiro é um costume de clientes mais antigos, acostumados com o calçado já usado. Para Neusa Maria da Silva, freqüentadora da Oficina do Sapato, o concerto mais do que uma necessidade representa uma economia no orçamento doméstico. “Acho uma bobagem deixar de usar o sapato que gosto por causa de uma sola descolada e um arranhãozinho no couro. Se tem concerto isso é muito bom. Assim não gasto dinheiro comprando pares novos”, conclui Neusa.

6 comentários:

iMarty Turbo disse...

para nos pode nao significar nada, mas eles perdem o emprego e como vão tirar a fonte de renda dele, oq srrá dos sapateiros?


www.imarty.tk

leandro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiozim disse...

Cara, cada vez ta mais difícil de sobrevier. Nem gosto de ler muito essas noticias. Me deixa triste. Pensando positivo... tudo vai dar bem :]

ed disse...

Excelente postagem. Realmente, se pararmos pra pensar, são muitas as profissões que estão ficando extintas, como as fiandeiras por exemplo, que preservam uma história e tradição únicas. O caso dos sapateiros não ficam atrás. As modernidades do dia a dia nos pregam essas pequenas peças e causam mudanças radicais nas grandes cidades.
Parabéns pelo blog
Edu Mol

[Pulga] Anderson Ferreira disse...

É a "modernidade". Estamos acabando com empregos. Mesmo sendo isso uma coisa péssima aos trabalhadores, [é necessário de certo ponto de vista. Muitos tênis estão baratos, e as vezes é melhor comprar outro tênis do que ajeita-lo. A solução para estes que tem oficios como sapateiros deveriam fazer/pedir por cursos profissionalizantes - no caso do sapateiro, por quê não fazer um curso e trabalhar na produção de tênis?

Estudo, estudo e estudo. Daqui a 50 anos ainda teremos pessoas que tem empregos péssimos por que não estudaram e estes irão reclamar da maioria que não utiliza, usa, pede seu trabalho.

Mas, apenas minha opinião.

http://moviment0.wordpress.com/

seuvicio disse...

Sapateiro, açougueiro, altos eiros tão sumindo. mas logo uma guerra estoura, causa dificuldade econômica e tal, aí as coisas voltam a ser como nos bons velhos tempos.

Análise dos principais acontecimentos da mídia brasileira e mundial!

Direção/Produção
Leandro Andrade

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