sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Astros do dinheiro público


Em recente entrevista ao jornal "O TEMPO", uma declaração surpreendente de Raimundo Fagner me chamou a atenção: "Esse pessoal aí só vive de lei de incentivo". Fagner estava se referindo aos consagrados artistas da indústria fonográfica que utilizam a lei de incentivo à cultura para o financiamento de Shows. Para ser mais preciso, a crítica foi direta ao bahiano Caetano Veloso, que está lançando seu novo álbum "Zii e Zie". De fato a crítica é extremamente pertinente, pois Caetano é um típico artista de público restrito, de casa cheia e ingressos à valores astronômicos. E, como não podia deixar de ser, Gilberto Gil não fica atrás. Sua esposa e também produtora, Flora Gil, comentou as críticas recebidas de forma indireta confirmando que "se pode desfrutar da lei, por que não usá-la?" Curiosamente, a verba ficou mais acessível ao seleto grupo após a chegada do cantor que virou ministro. E essa é uma triste realidade aos artistas novatos que lutam para ter um patrocínio e muitas vezes se aventuram em produções independentes, sem garantias de retorno financeiro. O espaço para divulgação de novos talentos torna-se ínfimo, pois na visão do Ministério da Cultura e das Secretarias Estaduais é preferível garantir o benefício para quem já está consolidado no mercado. Ora, mas não é incentivo? Se essa "mamata" é direcionada aos grandes, como é fiscalizada a captação desses recursos, se é que são fiscalizadas? A burocracia para aquisição do benefício é grande e leva-se tempo para ter o projeto aprovado. E pelo visto, a trupe da tropicália que brincava de fazer arte, ainda não amadureceu.


Caetano, Gilberto e Flora Gil,
os maiorais da verba cultural.

8 comentários:

ed disse...

Como senão bastasse pagar absurdos de ingressos nesses shows, agora essa cambada fazendo farra com dinheiro público. Outro dia paguei 150 num show do joao gilberto. é de doer.
abs

Leo Pinheiro disse...

A lei é equivocada, sim, pois, existem outras políticas de apoio à cultura mais eficazes.

Porém, contudo, entretanto, NÃO é verdade que a lei se tornos mais acessível a este ou àquele grupo de pessoas.

Lei é lei e está lá para ser disfrutada por todos nós.

Tanto o Gil quanto eu ou você podemos conseguir, sem maiores dificuldades, a chancela de captação de patrocínio.

Já o patrocínio tem a ver com conseguir convencer uma empresa privada a investir o dinheiro que ela pagaria em impostos no seu produto cultural.

Que consegue fazê-lo não faz nada de ilegal ou imoral.

Gizelli Sousa disse...

Na verdade os artistas independentes estão mais independentes que nunca. Myspace está aí para isso. E tem público para isso também. Agora, que a lei está equivocada, está sim.

Buda 171 disse...

impressionante né, até a cultura já estão dando um jeito de torna fonte de desvio e palhaçada, quase não conhecia o Raimundo Fagner, mas depois dessa declaação, já subiu e muito no meu conceito, está certissimo.

Paulo Sidney disse...

Oi Leandro. Obrigado pela sua visita e por compartilhar sua experiência. O momento para uma foto é único, as vezes se perder não recupera mais.
Espero que aproveite as dicas do Fotografiarevista.blogspot.com
Quanto ao seu blog, achei bem interessante, nem sempre ficamos sabendo das coisas pelos outros meios de cumunicação.
Abraço e sucesso.

abramovich-thebest disse...

Obviamente a lei precisa ser revista. É preciso que aja as limitações devidas e o ministério da cultura acompanhar de perto a necessidade de injetar essa verba para este ou aquele espetáculo/artista.

Abraços

Contos disse...

Fagner Subiiu no meu conceitO..
HASHASHUHUSA
Impressionante isso..

Cayo Nauan Siqueira disse...

O Brasil precisa de cultura mais quando isso se envolve com política pode acabar dando errado!!

Análise dos principais acontecimentos da mídia brasileira e mundial!

Direção/Produção
Leandro Andrade

leandrolfandrade@yahoo.com.br
http://twitter.com/LeandroAndrade2